segunda-feira, 2 de setembro de 2013

ÉLBER, DE LONDRINA PARA O MUNDO


Nome: Elber Giovane de Souza
Idade: 31 anos (23/07/72)
Local de nascimento: Londrina
Altura: 1,80 metro
Peso: 80 quilos
Onde jogou: Londrina de 1990/91, Grasshopper (Suíça) de 1991/94, Milan (Itália) de 1991/94 , Stuttgart de 1994/97 e Bayern Munique (Alemanha) de 1997/2003
Principais títulos: campeão sul-americano pela seleção brasileira de juniores em 90; vice-campeão mundial pela seleção brasileira de juniores 91; campeão da Copa da Suíça em 93 pelo Grasshopper; campeão da Copa da Alemanha em 97 pelo Stuttgart; e campeão da Copa da Alemanha em 98... campeão da Alemanha 99/2000.

Elber, de Londrina para o mundo

Claudemir Scalone
De Londrina


O destino do atacante Elber, 28 anos, poderia ter sido outro se o futebol não tivesse cruzado o seu caminho. Quem vê hoje o artilheiro do Bayern de Munique, sequer imagina o quão difícil foi sua vida na infância na periferia de Londrina. De origem humilde, Elber viu-se obrigado desde cedo a batalhar para auxiliar no sustento da família de quatro filhos do casal José e Laudicéia de Souza.
Elber e os irmãos catavam papel pelas ruas de Londrina para ajudar a família. ''Trabalhava de doméstica para ajudar o meu marido e fiz um carrinho para que os meus filhos pudessem ganhar um dinheirinho recolhendo papel'', conta dona Laudicéia. ''Graças a Deus consegui criar quatro homens de respeito'', agradece ela, lembrando ainda que Elber trabalhou em supermercado e na feira- livre.
Entre 1987 e 1990, Elber conseguiu emprego de estagiário no Banco do Brasil e conciliava trabalho, estudo e o futsal no time da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil). ''Trabalhava quatro horas por dia e tinha o resto do tempo para estudar e jogar. Era gostoso demais trabalhar com o pessoal do BB'', relembra Elber.
A transformação radical na vida de Elber e da família Souza teve início em 1990 quando Elber, defendendo a seleção londrinense de futsal nos Jogos da Juventude do Paraná, chamou a atenção de Iran Campos, na época diretor de futebol amador do Londrina Esporte Clube.
Iran ficou admirado com o talento do jogador e o convidou a fazer um teste no time júnior do Londrina. Mostrando desde cedo o seu senso profissional, Elber recusou-se a ser submetido a uma avaliação superficial. Pediu mais tempo para mostrar serviço. O clube cedeu ao seu apelo e não se arrependeu.
''Dois meses depois de treinar no time júnior, o Paquito (técnico) me levou para os profissionais'', lembra Elber, que teve de tomar uma decisão importante na época: seguir no futebol ou prestar o concurso interno do Banco do Brasil. O bom salário e a carreira garantida no BB quase o fizeram a largar a ainda incipiente carreira no futebol. ''Só decidi continuar jogando porque fiquei sabendo que o concurso do BB poderia ser extinto.''
Elber disputou então a Copa Contubos (atual Taça Londrina) de Juniores pelo Londrina em dezembro de 1990. Apesar de o time ter sido vice-campeão, o bom futebol do atacante cativou Antoninho, ex-olheiro da Confederação Brasileira de Futebol falecido em fevereiro deste ano.
O jogador foi, então, convocado para a seleção brasileira de juniores. O Brasil acabou sagrando-se campeão sul-americano e Elber destacou-se marcando seis gols. No Mundial da categoria em Portugal, a seleção foi vice-campeã mas o jogador marcou cinco gols e atraiu a atenção do futebol europeu.
''Foi lá que tive o meu primeiro contato com o pessoal do Grasshopper da Suíça. Eles ficaram interessados em me contratar mas consideraram alto os US$ 300 mil pedidos pelo Londrina'', conta Elber. Alguns meses depois, o Milan da Itália pagaria US$ 1 milhão pelo seu passe na maior transação já feita pelo Londrina. Os próprios torcedores do Londrina pouco conheciam Elber, que ficou cerca de seis meses no clube. ''Fiquei mais tempo na seleção do que no Londrina'', confirma o jogador, que construiu uma sólida carreira no futebol europeu.
A venda para o Milan trouxe fama e dinheiro a Elber. A família deixou a velha casa do Jardim Sérgio Antônio (zona leste) e mudou-se para um apartamento no centro de Londrina. Mais tarde com a mudança de clubes - do Milan foi emprestado ao Grasshopper, depois vendido ao Stuttgart por US$ 3 milhões e, por último, negociado ao Bayern de Munique por cerca de US$ 9 milhões -, Elber pôde comprar um sítio para o pai e dar um apartamento para cada irmão (José Carlos, João Bosco e Carlos Alberto).
''Tudo o que temos hoje devemos ao Elber. Se não fosse ele estaríamos naquela vida sofrida de antigamente. Graças a Deus é ele ainda quem sustenta a gente'', reconhece dona Laudicéia. ''Deus deu a estrela para ele e nos brilhamos juntos também'', diz a mãe de Elber com um enorme sorriso de felicidade.
Elber também não se arrepende de ter trocado o banco de reservas do Milan para defender o modesto Grasshopper. ''O Milan tinha muitos estrangeiros e as chances para eu jogar eram poucas. Para eles, eu era um investimento para o futuro. Então, pedi para ser emprestado.''
O atacante jogou durante três anos na Suíça e nos intervalos do Campeonato Suíço fazia treinos e amistosos pelo Milan. No Grasshopper conquistou a Copa da Suíça em 1993 e foi o artilheiro da competição com 21 gols. No ano seguinte, foi para o Stuttgart da Alemanha. ''Logo no primeiro ano fraturei a tíbia e o perônio e fiquei seis meses parado'', recorda Elber, sobre sua primeira temporada no futebol alemão.
Apesar do contratempo, o artilheiro marcou 8 gols. Na temporada 95/96, foram 16 gols. Em 96/97, ele foi o vice-goleador do campeonato alemão marcando 17 gols. A consagração veio com os dois gols marcados na conquista do título da Copa da Alemanha de 97. O brilho do artilheiro despertou o interesse do poderoso Bayern de Munique que o contratou em julho de 97. Em seu primeiro ano de Bayern sagrou-se bicampeão da Copa da Alemanha no ano passado.
Apesar do sucesso no Stuttgart, Elber só foi ter seu trabalho reconhecido na Seleção Brasileira depois de se transferir para o Bayern. Sua primeira convocação ocorreu em fevereiro de 98 para a disputa da Copa Ouro nos Estados Unidos, última fase de preparação para a Copa da França.
''Pra mim foi bom ter tido uma chance com o Zagallo na seleção. Só fiquei chateado por uma entrevista que ele deu a uma televisão alemã, dizendo que 'igual ao Elber temos de dez a vinte jogadores no Brasil'. Como ele pôde dizer uma coisa dessa se nunca tinha me visto jogar?'', diz com um pouco de mágoa. Mesmo com poucas chances, Elber participou de dois jogos e acabou marcando dois gols, um deles de calcanhar. Depois faltando três meses para o Mundial, uma fratura na clavícula tirou-lhe as chances de disputar a Copa.
Ele teve chances ainda com o técnico Wanderley Luxemburgo, mas uma outra contusão no pé direito em junho do ano passado tirou-o da seleção outra vez. Ele só está voltando agora com Luiz Felipe Scolari, que substituiu Emerson Leão.
''Sei que há muitos bons jogadores na minha posição e não posso dar bobeira. Tenho que continuar mostrando que tenho condições de vestir a camisa do Brasil'', diz o atacante, que já tem engatilhado alguns projetos para o futuro.
''Tenho um contrato com a Adidas e penso em fazer alguma coisa aí em Londrina. Talvez, uma loja de materiais esportivos'', planeja. Também está nos seus planos atuar como procurador. ''Conheço vários empresários na Europa e posso atuar nessa área também'', adianta. O fato de falar bem o alemão, o espanhol e o italiano será um trunfo a mais na sua carreira, destaca o jogador.
Mas o goleador Elber já faz seus gols fora de campo. A infância humilde e cheia de dificuldades fez o artilheiro voltar suas atenções para os menores carentes de Londrina. Desde maio de 1997 funciona na cidade a Escola Oficina Pestalozzi, financiada por Elber e algumas instituições da Alemanha. A escola fica no Jardim Franciscato (zona sul) e oferece cursos profissionalizantes gratuitos a cerca de 250 menores carentes.

LIÇÃO DE JANUÁRIA


 Crônica produzida para o Caderno Paraná da Folha de Londrina.

Januária é uma mulher humilde na periferia de Londrina. Desde cedo teve de batalhar muito para ajudar no sustento da família. Aos 14 anos, lá estava ela atuando como babá. Aos 17, ficou grávida do namorado e abandonou os estudos. O pai, um baiano arretado, quase a expulsou de casa quando soube. A mãe, uma paraense afeita às ervas milagrosas para curar qualquer mal, conseguiu apaziguar o ambiente. Januária, então, casou-se e teve o filho.
Como o marido não tinha emprego fixo, Januária continuou trabalhando de doméstica e parindo filhos - teve mais cinco. O número de filhos e a idade - 45 anos -, já não lhe permitiam ter um emprego fixo. Ser diarista, foi a solução. O dinheirinho contado do dia a dia servia para alimentar a família e pagar a conta de luz. A água, cortada por falta de pagamento das contas, vinha de mina contaminada nos fundos do bairro pobre.
Além dos problemas e conflitos diários, Januária era solidária com suas vizinhas. A diarista ainda não conseguira se conformar com o triste drama de Albertina. A doméstica, que morava a algumas ruas de seu barraco - se é que se pode chamar de ruas aquele amontoado -, tinha sido flagrada por seguranças de um supermercado ao esconder um quilo de carne na bolsa. A história de Albertina, que queria naquele dia dar uma mistura para os filhos, saira na imprensa e se espalhara como um rastilho de pólvora pelo bairro.
Januária foi a primeira a prestar solidariedade à companheira de infortúnio. Depois de ser presa, Albertina acabou sendo libertada por um advogado que se comoveu com o seu drama. Porém, marcada não foi aceita no antigo emprego. Assim, deu a dica para que Januária procurasse a ex-patroa. Aceita a sugestão, Januária vestiu-se o melhor que pôde e foi encarar o desafio de ser aceita no emprego.
A mulher do bairro nobre examinou minuciosamente a futura empregada e, depois de muitas perguntas, pediu referências. Sem problemas com antigas patroas, Januária foi aceita no emprego. Logo no primeiro dia, percebeu que teria que ter muito jogo de cintura e paciência para aguentar a tal madame. Por mais esforço e dedicação que mostrasse, não escapava das broncas da patroa. Januária sabia que a patroa mandava a cozinheira revistar sua bolsa.
Engolia calada as humilhações até ser acusada de roubo de um anel valioso da patroa. Por mais que jurasse não ter pego o anel, não convenceu a madame. A confusão só foi desfeita depois que uma das filhas da madame assumiu ter apanhado o anel para ir a uma festa. A necessidade fez Januária continuar no emprego. Era raro não ter quer refazer o serviço por um capricho da patroa.
Cansada de engolir sapo, Januária decidiu dar o troco na madame. Com o bairro infestado de micuins (tipo de carrapato que ataca cavalos), ela teve o cuidado de colocá-los num vidro para dar um susto na patroa e vingar a amiga Albertina. Assim que chegou para o trabalho, comunicou a patroa que aquele seria seu último dia no emprego e seguiu com seu plano: executou o serviço e aproveitou para colocar os micuins entre as roupas da madame.
Terminada a jornada de trabalho, a diarista recebeu o pagamento e, quando já ia saindo pelo portão, pôde ouvir os berros da madame horrorizada com os micuins. Januária não se conteve e riu-se até não querer mais ao imaginar a cena da madame infestada de carrapatos. No caminho de casa, passou na amiga Albertina e contou-lhe a novidade.
Apesar de estar aborrecida com a ex-patroa, Albertina condenou a atitude de Januária. ''Muiê, como é que tu feiz uma coisa dessa! Se ela espaiá o que tu apronto pra ela, cê não vai arranjá emprego em lugar nenhum.'' Januária não se incomodou. ''Oiá aqui Albertina. Nóis pode cê pobre e vivê num lugar miseravê como esse. Mais nós merece mais respeito, cê num acha? Isso é uma lição pra ela nunca mais esquecê e trata as pessoa com um pouco mais de respeito. O serviço tá feito e não me arrendo, tá ouvindo. E se aqueles carrapatinho não feiz mal pros nossos fios, num vai fazê praquela megera também'', encerrou a conversa Januária.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

CARNAVAL DE UMA NOTA SÓ

O Carnaval 2011 de Londrina tem uma nota só: zero! Como falar em carnaval popular de rua com palcos fixos? E as escolas de samba cadê? Até concordo que possa ter havido erro – se proposital ou não eu não sei – da Liga das Escolas de Samba ao falsificar a assinatura da cessão do autódromo para o desfile quando do pedido da verba do Promic para Secretaria de Cultura, mas nada justifica simplesmente banir todas as escolas de samba da folia. Ora se o autódromo é do município por que pedir autorização para quem terceirizou aquele espaço construído com dinheiro público? A desculpa não colou. Quem acabou penalizado foi o público que gosta do samba e as pessoas que têm amor às suas escolas. E olha que o samba no autódromo já vinha ganhando tradição e se transformando no sambódromo londrinense, um local amplo e com estacionamento que não demanda a interdição de ruas, por exemplo. Pena que cada vez mais o samba londrinense vai sendo enterrado por quem parece não gostar da mais popular das festas brasileiras. Já diz o trecho de uma música que “quem não gosta de samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé”.
Para aqueles que dizem que o samba não combina com Londrina, basta lembrar dos carnavais empolgantes na então Avenida Paraná no meio da década de 1970. Na fase pré-Calçadão, o centro de Londrina fervilhava nas quatro noites de folia. Sábado e segunda com desfile de blocos dos clubes e avulsos. Domingo e terça era a vez das escolas de samba. O título do carnaval era disputado com muita empolgação pela Unidos e Independente, escola da Vila Nova, pela Acadêmicos do Samba, da Vila Casoni, e pela Bafo da Gibóia, também na região das duas vilas. No meio da década de 70, surgiu então a Chão de Estrelas que revolucionou o carnaval de rua da cidade. A escola, que chegou a ter quase mil integrantes (um recorde até hoje para o samba londrinense), trouxe em 1976 um dos mais belos sambas-enredos já cantados na avenida. O samba em homenagem aos pioneiros pés-vermelhos foi puxado pela ainda desconhecida Eliane Camargo – que depois viria a ser conhecida como a rainha do bailão Brasil afora – e outros cantores. A bateria cadenciada e com tamborins “desenhando” o samba encantaram o grande público que lotou a Avenida Paraná naquele ano. Não lembro de quem era a letra, mas até hoje ainda recordo da música que começava assim:
“São imigrantes, pioneiros de vários rincões
Vieram de pau de arara, de trem ao Paraná
Pra voltar não dava mais
A terra roxa, a fé e a esperança
Paraná, Paraná,
Chegaram com grandes pretensões
Trabalharam mais que os peões
Mas não sabiam que a tal geada
Era com fogo que tudo queimava
E meus senhores viram ao chão as estrelas
Que com tristeza choravam
Olhando os cafezais mudando de cor
O verde se transformar
A gralha azul outro pinheiro foi plantar
E meus senhores com as Cataratas choraram
Com as Sete Quedas puderam se levantar
Em Vilha Velha Renovar
O gado nelore, guzerá
Itaipu, microondas no ar
Lavouva branca, erva-mate, Yemanjá
Café solúvel salve o Paraná!”
Claro que a Chão de Estrelas não trouxe grandes carros alegóricos (para os padrões locais, bem entendido) como já foi visto recentemente no autódromo pelas novas escolas da cidade. Ela, porém, trouxe como novidade um samba cantado pelos seus integrantes – coisa que não ocorria até então, pois se ouvia o samba no palanque de autoridades e julgadores que ficava na praça Floriano Peixoto, além cumprir o enredo escolhido com alas determinadas e destaques em pequenos carros alegóricos. E o principal: grupo de passistas (a stais cabrochas como eram chamadas as mulatas), de capoeiristas (sempre presentes no carnaval de Londrina), um grande grupo de travestis (que ao mesmo tempo em chocava parte da sociedade, divertia o restante do público) e uma boa quantidade de baianas (coisa raríssima nos últimos carnavais de Londrina). A Chão de Estrelas fez história, curta é verdade como sempre em razão da verba enxuta oferecida pelo município, mas marcante. Essas escolas, baseadas em bairros centrais, e curiosamente no então chamado trecho abaixo da linha do trem, foram definhando com o tempo em razão da descontinuidade tanto por parte de seus diretores quanto por parte do município. Alguns prefeitos pouco afeitos ao samba simplesmente riscaram de seus planos o carnaval de rua de Londrina.
O fechamento da Avenida Paraná em 1977 deu início a esse desmonte. Jogado para a Rua Sergipe, para a Quintino Bocaiúva e para a Maringá, o samba londrinense recuperou o fôlego só na década de 1990 na recém-inaugurada Leste-Oeste pelo prefeito Wilson Moreira. Com grandes arquibancadas montadas no canteiro central, o público pôde apreciar o samba do alto. Nesse período já reinavam outras escolas como a Unidos do Jardim do Sol, Bahia Abraça Londrina e novata Quilombo dos Palmares. Posso ter esquecido uma ou outra escola, mas essas três lutavam pelo título de campeã. E já se notava o deslocamento do eixo do samba londrinense dos bairros mais centrais para a periferia. A Quilombo, escolhendo o verde e rosa da Mangueira, representava o Cincão, embrião do que viria a ser a Zona Norte hoje (muito mais populosa).
E nesse vai e vem descontínuo e desorganizado, o carnaval de rua de Londrina foi sobrevivendo até que na última década ressurgiu com força: uma liga de escolas foi formada e os desfiles passaram para o autódromo que já desfruta de uma certa estrutura. Quilombo e Jardim do Sol que se rivalizaram nos anos 90 quase sucumbiram e foram suplantadas por escolas da zona sul da cidade, como a Garotos Unidos e a Gaviões Londrinense. A Zona Norte ganhou a Explode Coração e a Império da Zona Norte. Em 2008, por exemplo, à exceção da Império que fazia parte do grupo B, as demais eram do grupo A. Já Sangue Azul, Jardim do Sol e Alegria da Passarela participaram do desfile do sábado como convidadas. E a Quilombo pediu licença como trouxe uma matéria da Folha de Londrina de 5/2/2008. Bem, posso até ter me equivocado em algum dado, mas é tácito afirmar que Londrina tem sim samba no pé e tradição no desfile de carvanal. Basta vontade, política acima de tudo, para que a festa de Momo volte alegrar a cidade com concurso de rei e rainha do carnaval e o principal: desfile de escolas de samba. Ah, sim os blocos são bem-vindos, mesmo com batuque de branco, mas desde que sigam os passos dos blocos cariocas e saiam às ruas arrastando a multidão na Higienópolis, por exemplo, ou na Saul Elkind. O que não pode é matar de vez o carnaval londrinense.






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BRASIL NA OLIMPÍADA

Em mais uma Olimpíada comenta-se falta de resultado mais expressivos da delegação brasileira. Em menos de uma semana de competição, conquistamos 'somente' 4 medalhas - grande mérito do judô que rendeu um ouro e dois bronzes. A prata é do Tiago Pereira na natação. Hoje teremos Cesar Cielo  com chance de ouro também na piscina. A grande incógnita são os esportes coletivos. O vôlei parece ter perdido o rumo, tanto o feminino quanto o masculino. Zé Roberto e Bernardinho não conseguem mais tirar o algo mais para que o Brasil supere obstáculos em quadra. A derrota do feminino para a Coreia do Sul foi emblemática. Mostrou um time sem capacdade de reação. O revés de Dante e cia. nesta quinta para os Estados Unidos também serviu para mostrar que a seleção pode ficar de fora do pódio. O basquete feminino nem merece comentários. A fraca campanha é resultado da falta de trabalho de base e investimento - isto para um país que daqui quatro anos vai sediar a Olimpíada. O time masculino dirigido pelo argentino Ruben Magnano  não incorporou a tática e ensinamentos que ele prega. Jogadores pra lá de tarimbados insistem em arremessos e jogadas precipitadas que custam a derrota da equipe, como nesta quinta diante dos russos. Resta o futebol masculino, apontado como favorito após a eliminação da Espanha. Se não deixar o ego de lado e encarar seleções menos cotadas com seriedade, pode voltar para casa sem o almejado ouro.

Restarão esportes individuais e o vôlei de praia, que sempre garante medalhas ao país, para que o Brasil suba no ranking olimpíco. Mas se não conquistarmos tantas medalhas quantas as previstas? Vamos sair criticando atletas e treinadores por suposta falta de empenho ou pior de amarelão? Não é por aí que vamos melhorar o desempenho do país no esporte. É preciso cobrar dirigentes esportivos que se perpetuam no cargo e as autoridades políticas investimento e seriedade no trabalho com nossos atletas. Do contrário, teremos decepção ainda maior em 2016 no Rio de Janeiro. E, pra variar, virão as piadinhas sobre o fracasso de ginastas, do sumiço da vara do salto em altura, do golpe proibido no judô, etc. A conquista de medalha só vem com trabalho de longo prazo, com estrutura completa de trabalho ao atleta e, claro, remuneração que garanta a tranquilidade necessária para a busca da vitória. Se não for isso, continuaremos sendo medalha em piadinha pronta e sem graça nenhuma.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

CARNAVAL DE UMA NOTA SÓ (2011)


O Carnaval 2011 de Londrina tem uma nota só: zero! Como falar em carnaval popular de rua com palcos fixos? E as escolas de samba cadê? Até concordo que possa ter havido erro – se proposital ou não eu não sei – da Liga das Escolas de Samba ao falsificar a assinatura da cessão do autódromo para o desfile quando do pedido da verba do Promic para  Secretaria de Cultura, mas nada justifica simplesmente banir todas as escolas de samba da folia. Ora se o autódromo é do município por que pedir autorização para quem terceirizou aquele espaço construído com dinheiro público? A desculpa não colou. Quem acabou penalizado foi o público que gosta do samba e as pessoas que têm amor às suas escolas. E olha que o samba no autódromo já vinha ganhando tradição  e se transformando no sambódromo londrinense, um local amplo e com estacionamento que não demanda a interdição de ruas, por exemplo. Pena que cada vez mais o samba londrinense vai sendo enterrado por quem parece não gostar da mais popular das festas brasileiras. Já diz o trecho de uma música que “quem não gosta de samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé”.
Para aqueles que dizem que o samba não combina com Londrina, basta lembrar dos carnavais empolgantes na então Avenida Paraná no meio da década de 1970. Na fase pré-Calçadão, o centro de Londrina fervilhava nas quatro noites de folia. Sábado e segunda com desfile de blocos dos clubes e avulsos. Domingo e terça era a vez das escolas de samba. O título do carnaval era disputado com muita empolgação pela Unidos e Independente, escola da Vila Nova, pela Acadêmicos do Samba, da Vila Casoni, e pela Bafo da Gibóia, também na região das duas vilas. No meio da década de 70, surgiu então a Chão de Estrelas que revolucionou o carnaval de rua da cidade. A escola, que chegou a ter quase mil integrantes (um recorde até hoje para o samba londrinense), trouxe em 1976 um dos mais belos sambas-enredos já cantados na avenida. O samba em homenagem aos pioneiros pés-vermelhos foi puxado pela ainda desconhecida Eliane Camargo – que depois viria a ser conhecida como a rainha do bailão Brasil afora – e outros cantores. A bateria cadenciada e com tamborins “desenhando” o samba encantaram o grande público que lotou a Avenida Paraná naquele ano.  Não lembro de quem era a letra, mas até hoje ainda recordo da música que começava assim:
“São imigrantes, pioneiros  de vários rincões
Vieram de pau de arara, de trem ao Paraná
Pra voltar não dava mais
A terra roxa, a fé e a esperança
Paraná, Paraná,
Chegaram com grandes pretensões
Trabalharam mais que os peões
Mas não sabiam que a tal geada
Era com fogo que tudo queimava
E meus senhores viram ao chão as estrelas
Que com tristeza choravam
Olhando os cafezais mudando de cor
O verde se transformar
A gralha azul outro pinheiro foi plantar
E meus senhores com as Cataratas choraram
Com as Sete Quedas puderam se levantar
Em Vilha Velha Renovar
O gado nelore, guzerá
Itaipu, microondas no ar
Lavouva branca, erva-mate, Yemanjá
Café solúvel salve o Paraná!”
Claro que  a Chão de Estrelas não trouxe grandes carros alegóricos (para os padrões locais, bem entendido) como já foi visto recentemente no autódromo pelas novas escolas da cidade. Ela, porém, trouxe como  novidade um samba cantado pelos seus integrantes – coisa que não ocorria até então, pois se ouvia o samba no palanque de autoridades e julgadores que ficava na praça Floriano Peixoto, além cumprir o enredo escolhido com alas determinadas e destaques em pequenos carros alegóricos. E o principal: grupo de passistas (a stais cabrochas como eram chamadas as mulatas), de capoeiristas (sempre presentes no carnaval de Londrina), um grande grupo de travestis (que ao mesmo tempo em chocava parte da sociedade, divertia o restante do público) e uma boa quantidade de baianas (coisa raríssima nos últimos carnavais de Londrina). A Chão de Estrelas fez história, curta é verdade como sempre em razão da verba enxuta oferecida pelo município, mas marcante. Essas escolas, baseadas em bairros centrais, e curiosamente no então chamado trecho abaixo da linha do trem, foram definhando com o tempo em razão da descontinuidade tanto por parte de seus diretores quanto por parte do município. Alguns prefeitos pouco afeitos ao samba simplesmente riscaram de seus planos o carnaval de rua de Londrina.
O fechamento da Avenida Paraná em 1977 deu início a esse desmonte. Jogado para a Rua  Sergipe, para a Quintino Bocaiúva e para a Maringá, o samba londrinense recuperou o fôlego só na década de 1990 na recém-inaugurada Leste-Oeste pelo prefeito Wilson Moreira. Com grandes arquibancadas montadas no canteiro central, o público pôde apreciar o samba do alto. Nesse período já reinavam outras escolas como a Unidos do Jardim do Sol, Bahia Abraça Londrina e novata Quilombo dos Palmares. Posso ter esquecido uma ou outra escola, mas essas três lutavam pelo título de campeã. E já se notava o deslocamento do eixo do samba londrinense dos bairros mais centrais para a periferia. A Quilombo, escolhendo o verde e rosa da Mangueira, representava o Cincão, embrião do que viria a ser a Zona Norte hoje (muito mais populosa).
E nesse vai e vem descontínuo e desorganizado, o carnaval de rua de Londrina foi sobrevivendo até que na última década ressurgiu com força: uma liga de escolas foi formada e os desfiles passaram para o autódromo que já desfruta de uma certa estrutura. Quilombo e Jardim do Sol que se rivalizaram nos anos 90 quase sucumbiram e foram suplantadas por escolas da zona sul da cidade, como a Garotos Unidos  e a Gaviões Londrinense. A Zona Norte ganhou a Explode Coração e a Império da Zona Norte. Em 2008, por exemplo, à exceção da Império que fazia parte do grupo B, as demais eram do grupo A.  Já  Sangue Azul, Jardim do Sol e Alegria da Passarela participaram do desfile do sábado como convidadas. E a Quilombo pediu licença como trouxe uma matéria da Folha de Londrina de 5/2/2008. Bem, posso até ter me equivocado em algum dado, mas é tácito afirmar que Londrina tem sim samba no pé e tradição no desfile de carvanal. Basta vontade, política acima de tudo, para que a festa de Momo volte alegrar a cidade com concurso de rei e rainha do carnaval e o principal: desfile de escolas de samba. Ah, sim os blocos são bem-vindos, mesmo com batuque de branco, mas desde que sigam os passos dos blocos cariocas e saiam às ruas arrastando a multidão na Higienópolis, por exemplo, ou na Saul Elkind. O que não pode é matar de vez o carnaval londrinense.



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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

FUTEBOL PÁLIDO

     A vitória do Londrina sobre o Operário, quarta-feira em Ponta Grossa, veio em boa hora. Entretanto, primeiro triunfo fora de casa no Paranaense 2012 não pode esconder os muitos defeitos do Tubarão. As mudancas feitas pelo técnico Claudio Tencatti ajudaram a mexer com os brios dos jogadores. Num time que nada vem jogando não pode haver jogadores intocáveis.  A punicão ao meia Rodrigo deve servir de licão a outros  atletas. A boa surpresa foi a estreia do meia Tiago Santos, ex-Macaé e Cianorte. Mesmo ainda desentrosado, ele mostrou que pode ser útil. O Londrina teve sorte de pegar um time que abusou dos ''chuveirinhos" e mostrou pouca variacão nas jogadas. Se tivesse um pouco mais de consciência e futebol, o LEC teria goleado o fraco adversário. Domingo, o time encara o Roma e precisa se ligar para não ser surpreendido, como foi contra o Arapongas. A diretoria precisa trazer mais reforcos se quiser correr atrás da vaga na Série D. Apesar de o Cianorte ter disparado, ainda dá para disputar com o Arapongas que estacionou nos 13 pontos. São 4 pontos de diferenca para tirar até o fim da competicão. Se o time se unir e o técnico Claudio Tencatti acabar com as rusgas e o salto alto de alguns jogadores, o Tubarão poderá ainda recuperar o prestígio perdido junto à maioria da torcida que o acompanhou e apoiou ano passado na campanha vitoriosa da Segundona.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

NOVO CAMPEONATO, VELHO LONDRINA

    E 2012 chegou tão rápido que nem consegui escrever sobre a expectativa para a estreia do Londrina no Campeonato Paranaense. O retorno à divisão de elite já aconteceu e, talvez, seja mais fácil analisar a derrota de 2 a 0 para o Atlético, domingo último, em Ponta Grossa. Criou-se uma certa expectativa  para esse confronto contra o Atlético, até então de moral baixa devido ao rebaixamento à Série B do Brasileirão. O Tubarão repetiu o time-base de 2011 e vinha treinando há um bom tempo, ao contrário do Rubro-negro. Para "ajudar", diziam os críticos, o jogo era em campo neutro o Germano Kruger, em Ponta Grossa. Os "argumentos" para uma boa estreia estavam na mesa. Bastava ao LEC colocar em prática e jogar com ousadia. Mas o que se viu em campo foi um LEC tentando a qualquer preço manter a posse de bola, às vezes com toque excessivo para trás até o goleiro Danilo. O time bem que tentou atacar, mas faltou ímpeto e vontade de fazer gol. Além de não ter um goleador nato, o Tubarão tem um meio-campo com quatro volante que pouco ou nada se arriscam ao ataque. Chutar de longe, então, nada. Os laterais Ayrton e Wendel até que apoiaram, mas falharam nos cruzamentos para Warlley e Arthur. Na zaga, a falha bisonha de Fernando permitiu o primeiro gol atleticano. Enfim, viu-se um Londrina ainda muito aquém do que o torcedor alviceleste almeja e merece pelo apoio decisivo na conquista da Segundona em 2011.  Na verdade, esperava-se mais da parceira SM Sports neste retorno à divisão de elite. Algum jogador de destaque cujos direitos federativos pertecem ao Juan Figger ou mesmo ao Sergio Malucelli, por exemplo. Claro, foi apenas a primeira partida na competição. Mas a julgar pelos outros times do Interior e do Corinthians, o LEC não terá vida fácil na tentativa de conquistar uma vaga na Série D. Como foi na Segundona, garantir uma boa campanha no turno é o primeiro caminho para conquistar a meta traçada de ficar entre os quatro primeiros colocados. Apesar da larga vantagem nos confrontos pró Atlético, ficou um gosto de decepção nessa estreia. Afinal, o torcedor assistiu ao velho filme quando o LEC enfrenta os times da Capital: o time até joga bem, mas no final entrega o ouro ao adversário em duas falhas. Espera-se que nesta quarta, diante do perigoso Paranavaí, o técnico Claudio Tencatti coloque em campo um time mais ousado e não mexa errado como foi a troca do lateral Wendel pelo Fabinho e a saída de Warlley diante do Atlético. É a hora de sacudir a poeira e dar a volta por cima.